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Cinco dicas para uma boa passarinhada

Bianca Darski

B.Sc. Biology

Ph.D. Ecology


E aí, vamos passarinhar?


“Passarinhar” é o ato de observar aves na natureza. Um verbo nada usual na gramática, mas comum entre os(as) apaixonados(as) por aves. Para garantir uma boa passarinhada, siga as dicas abaixo:


1) A hora do passarinho

As aves têm dois picos de atividade que nos permitem observá-las com mais facilidade. De manhã bem cedinho é o melhor horário, mas no final da tarde também é possível encontrá-las facilmente. Muitas aves começam a cantar assim que o sol nasce e também quando o sol se põe. Mas nem sempre estes horários são os melhores, especialmente quando o dia começa com aquela chuvinha, mas logo depois sai aquele solzão. Pode ter certeza que as aves vão começar a cantar assim que sol aparecer!


FOTO: Bando de garça-branca-pequena no fim de tarde na Barra de Ibiraquera, Imbituba, SC, Brasil.



2) Roupa discreta

As aves reconhecem muito bem as cores e para que você não seja visto(a) e nem espante as aves, é importante escolher roupas com cores que deixem você mais parecido(a) com o ambiente ao redor, ou seja, camuflado(a).

De modo geral, cores em tons de marrom, verde e cinza funcionam muito bem para passarinhar em diversos ambientes.




FOTO: A roupa ideal é aquela que faz você passar despercebido como essa mariposa em um tronco de árvore na Mata Atlântica, Brasil.



3) Câmera fotográfica e binóculos

Hoje em dia ter uma câmera fotográfica é algo muito mais acessível do que já foi há dez anos. Podemos fazer fotos incríveis com o uso de telefones celulares e ainda aproveitar a internet e GPS para divulgar nas redes sociais as nossas observações com a localização precisa. Muitas vezes a câmera acaba substituindo o principal equipamento de um(a) observador(a) de aves: os binóculos. Binóculos são equipamentos com lentes que podem ampliar, em média, dez vezes a imagem que estamos observando e são excelentes para vermos detalhes, como aquelas peninhas ao redor dos olhos da ave que está empoleirada no topo do poste. Câmeras fotográficas profissionais, semi-profissionais (aquelas com zoom de amplo alcance) também nos permitem observar estes detalhes.


Não se preocupe, não é imprescindível ter binóculos ou câmera fotográfica profissional para fazer excelentes registros de aves. A maior parte das aves, especialmente em áreas urbanas e parques, pode ser observada a olho nu e fotografada com o celular.

FOTO: Gibão-de-couro na Mata Atlântica, Ibitipoca, MG, Brasil.


4) Leve algo para fazer anotações

Pode ser um caderno e um lápis ou mesmo o seu celular. A nossa memória infelizmente não guarda todas as informações que gostaríamos e, por isso, vale anotar os detalhes de nossas observações. Anote, por exemplo, as cores do bico e das pernas de uma ave, como era o seu canto (pupu ou tititititi?), se ela estava sozinha ou em bando, se parecia ser um indivíduo jovem ou adulto, se estava comendo algo ou apenas empoleirada observando a paisagem (como você!).


Caso você visite várias vezes o mesmo local, pode ser útil anotar as condições climáticas de cada dia, se estava nublado, com sol, chovendo, além da data das observações. Fotografias são excelentes para registrar aves, além do dia e horário da observação, mas alguns detalhes não podem ser fotografados e o ato de anotar auxilia na fixação das informações na nossa memória.




FOTO: Biólogas fazendo anotações sobre aves na Mata Atlântica, Maquiné, RS, Brasil.



5) Guias e ferramentas de identificação

Guias de identificação de aves são tradicionalmente em formato de livro. Nestes guias você pode encontrar ilustrações de espécies de aves, bem como o local onde elas residem e outras informações mais detalhadas. A principal limitação dos guias tradicionais é a sua falta de praticidade. Nem sempre teremos o guia ideal para o local onde iremos passarinhar. Você pode ter, por exemplo, um guia de aves do Peru, que é muito útil no Peru e arredores. Mas se você mora no Brasil, em São Paulo, por exemplo, verá que as espécies de aves não serão as mesmas que as do Peru, embora possa ter algumas espécies em comum.

Isso acontece porque a área de distribuição, ou seja, o local onde indivíduos de uma espécie de ave residem e se reproduzem, pode ser muito amplo, como toda a América Latina, ou mais restrito, como apenas o estado de São Paulo.


FOTO: Guias de identificação de aves.


Não se preocupe se você não possuir um guia de aves tradicional. A tecnologia nos permite identificar as espécies de aves, assim como descobrir outras informações detalhadas e não somente sobre aves. Há diversos guias de identificação de espécies em formato digital e você pode baixar os aplicativos específicos sobre aves, como o Merlin, ou mais gerais, como o iNaturalist. Com estes aplicativos, fica muito fácil reconhecer os penudos e aprender mais sobre eles.


Agora que você já sabe as principais dicas para uma boa passarinhada, programe-se no horário do passarinho, escolha o modelito ideal para passar despercebido(a), separe seu caderno e lápis e um celular ou câmera fotográfica e/ou binóculos.

Pronto. Boa passarinhada!


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