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Nem tudo que reluz é ouro

Por Douglas Umberto de Oliveira


Tento desenvolver em mim múltiplas faculdades e interesses. Assim, para além da educação formal, sempre prestei atenção nas mais diferentes manifestações humanas e nas de outros seres com os quais coabitamos este planeta. Nas humanas, por volta dos anos 1970, me envolvi com a composição musical, a qual acabou evoluindo para uma função de letrista para uma boa quantidade de parceiros – estes, sim, músicos – aqui em Brasília, Distrito Federal, Brasil. Entre as “mil frases escritas”, destaco, para o propósito deste texto, uma que me parece encaixar bem:

Eu sei que o melhor do mundo está pra cá do quintal”,

in “Carambolé”, música de Luiz Graciliano Ribeiro Salles.


Bem, caminhava eu pelo meu querido quintal quando, pelo canto do olho, vi este "colar dourado" ornando a borda de uma folha (prometo que o meu próximo interesse será a botânica, nem que para tornar textos como este mais "científicos"). Apesar de achar a mineração ambientalmente danosa, resolvi fotografar e publicar na plataforma iNaturalist, mesmo sob o risco de uma “corrida do ouro” ao Cerrado brasileiro e – me poupem! - ao meu querido quintal.


Registro feito durante a GSB 2020 na cidade de Brasília, DF, Brasil. Foto de Douglas Umberto de Oliveira (iNaturalist id: douglas-u-oliveira).


Naturalmente, por pura ignorância, "chutei" ser da classe Insecta e, pouco depois, o Lucas Rubio (iNaturalist id: lrubio7), estudante de biologia em Buenos Aires e Coordenador iNat), graciosamente me indicou ser da subfamília Phaneropterinae, ou seja, uma Esperança.

Entre 26 de Setembro e 12 de Outubro de 2020, observei neuroticamente o colar em busca do ourives que o teria lapidado. E aí operou-se um desses "milagres" da vida ao nascerem, simultaneamente, dezenove ninfas de uma espécie que ainda não identificamos. Ou seja, por enquanto, sem saber qual foi o ourives que criou esta obra-prima.


Registro de indivíduos da subfamília Phaneropterinae feito durante a GSB 2020 na cidade de Brasília, DF, Brasil. Foto de Douglas Umberto de Oliveira (iNaturalist id: douglas-u-oliveira).


No mundo da ourivesaria as joias, em geral, não carregam o nome dos artesões que as criaram. Do mesmo modo, a identificação de espécies também costuma ser trabalho minucioso e demorado, envolvendo muitos "artífices" do conhecimento. Mesmo torcendo para que estas ninfas sejam de uma espécie amplamente distribuída e, portanto, longe do risco de extinção, sonho com a possibilidade de não estarem descritas cientificamente.


Explico: isto me daria a chance de atribuir um nome científico à espécie. Neste caso, não teria dúvidas em latinizar os nomes dos meus quatro netos para compor o binômio (ou trinômio, se uma subespécie). Talvez isto despertasse neles um interesse definitivo pela natureza e suas riquezas, para além da educação formal.


Moral da história: o colar não era feito de ouro, mas tenho "esperanças".



Veja, na plataforma iNaturalist, este registro da subfamília Phaneropterinae e o processo de identificação depois que eclodiram os ovos.


 

Curiosidade:

Os faneropteríneos são insetos da Ordem Orthoptera, subordem Ensifera, e família Tettigoniidae. São cosmopolitas, estando presentes em todos os continentes, exceto nas regiões polares do Globo. A maior diversidade concentra-se nas regiões tropicais, especialmente na Região Neotropical, sendo o Brasil um dos países com a maior diversidade de espécies do grupo no mundo. Phaneropterinae é a mais diversa subfamília de Tettigoniidae bem como de Orthoptera, compreendendo atualmente 375 gêneros e pouco mais de 2700 espécies. Fonte: Wikipédia.


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